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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Maternidade ativa, por um mundo melhor


O que é Maternidade Ativa?

É ser protagonista, fazer escolhas conscientes do que se quer e do que não se quer.
Começa na busca de informações, na saída da zona de conforto, nas dúvidas, nos questionamentos.
Para fazer escolhas conscientes é preciso conhecer, entender, questionar, refletir.
Para então decidir.
E viver a decisão, construir os caminhos, reconstruir o que não serviu.
Todas nós podemos ser mães melhores, mulheres melhores e transformar as dores e as delícias da maternidade em uma relação intensa e profunda de auto-conhecimento e aprimoramento pessoal.
Podemos sim, deixar filhos melhores para o mundo, e também um mundo melhor para nossos filhos.

Ligia Moreiras Sena diz: 
"Essa é a forma de maternar que se pretende para um mundo novo. Uma maternidade em que as mães sejam as responsáveis por suas escolhas, que vivam aquilo que escolheram por refletirem a respeito, sem viver somente as escolhas de outras pessoas. O que hoje buscamos é uma forma de ser mãe que liberte e fortaleça a mulher, que lhe dê autonomia, coragem e que fortaleça sua auto-estima, colocando-a como peça de mudança ativa no mundo. E que essa mulher, assim liberta, corajosa, autônoma e com a auto-estima em dia, tenha condições de criar filhos com base no respeito, apego, afeto e amor. 
Ser mãe é ter a chance de ser a mudança que queremos ver no mundo."



Maternidade Ativa no Espaço Nona Lua

Ginástica para gestantes * Preparação para o parto * Consultoria * Apoio para o parto e pós-parto * Amamentação * Dificuldades * Orientações * Grupo de Mães * Ginástica Mamãe-Bebê * Acupuntura  
Vila Mascote - São Paulo



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Que os finais tristes possam fazer começos felizes

Nessa minha nem tão longa jornada no mundo da gestação e do parto já pude conhecer muitas, muitas histórias. Foram relatos maravilhosos e mágicos que me trouxeram para este mundo da partolândia, vontade de visitá-lo também e, inclusive, agora de voltar lá. A vontade que tenho de voltar lá, hoje, é maior do que a que tive de conhecer, sabendo o que me espera e tendo a possibilidade de aplicar o que aprendi. Trago na bagagem  minha experiência, os prós, os contras e outras informações que conquistei nessa continuidade da minha jornada.
 Infelizmente, conheci também muitas histórias tristes, que de alguma forma viraram feridas em mim também. Talvez por eu também, como qualquer outra mulher, ter desejado um parto legal, uma história bonita, apoio de quem confiei meu corpo. Posso me colocar no lugar dessa mulher desrespeitada, enganada, machucada, que carrega dores que vão além do físico, e que infelizmente vão doer para sempre.
Cedo um espaço do meu coração para uma ferida que não é minha, mas dói também em mim, para que muitas vozes caladas e choros abafados possam serem ouvidos através de minha boca e de minhas palavras.
Muitas dessas mulheres violentadas de alguma forma, sequer sabem do que foram vítimas, muitas sequer tem auto-estima ou auto-confiança para exigirem valer seus direitos. É uma tristeza e indignação que se transformam em força para mover o mundo e deixar esperança para as próximas gerações.
Vai desde a famosa cesárea por motivo fictício até grandes traumas causados por péssima assistência. Ouvir tanta gente falando que queria ter tido parto normal, mas que no caso dela não foi possível por um motivo pra lá de duvidoso assim como mulheres que tiveram sim um parto normal, repleto de violência e desrespeito, revolta e machuca. Os médicos de convênio não vão fazer o parto, e depois da primeira cesárea as casas de parto não aceitarão pois encaixa-se em fator de risco e ninguém quer recorrer ao SUS que leva não boa fama e com razão. Tenho muitas, muitas mesmo, amigas, conhecidas, ou apenas histórias que ouço aqui e ali sobre gente que passou por isso. 
Tenho tanta pena de ouvir histórias assim, de mulheres que foram literalmente tapeadas com motivos absurdamente irreais ou induzidas a acreditar que a cesárea seria a melhor opção por seus médicos, pessoas que deveriam ser de pura confiança e transparência. Chego a me arrepiar com a frase: eu confio no meu médico, ele sabe o que é melhor e tantas e tantas vezes o desfecho foi uma cesárea eletiva, sem nem sequer ter acontecido indícios de trabalho de parto.
Pior do que isso, ainda acho, quando a mulher consegue ter o parto normal, mas totalmente desrespeitoso. A que foi enganada com uma cesárea goela abaixo, tem seu parto roubado, fica aquela sensação de revolta, de perda, mas isso pode inclusive motivá-la a buscar realmente subsídios para ter um parto de verdade. A moça que teve um parto normal sofrido, muitas vezes pode ficar tão machucada a ponto de não querer mais passar por isso. Chegou para parir sem nenhuma informação, sem nem imaginar o que é, como é e principalmente quais são seus direitos nesse momento, sofrendo uma batelada de intervenções desnecessárias e prejudiciais, que podem além de colocar em risco o bem-estar dela e do bebê, causar muitas dores tanto física quanto emocionais.
Lembro-me com detalhes da minha última semana de gravidez, passando no caixa do mercado, a moça me viu com o barrigão e puxou assunto, disse que tinha muita vontade de ter outro filho, o dela já tinha 10 anos, mas não tinha coragem pelo que sofreu no parto. Eu falei para ela: Imagina, vale a pena, vai ser diferente. E ela foi categórica: Não, eu gostaria muito, mas foi muito sofrimento.
E eu chego a encher os olhos de lágrimas por pensar que tanta violência acontece com uma mulher no momento que era para ser o mais lindo da vida dela. Encho os olhos por pensar em mim também, no  - pouco - que sofri e que só foi pouco graças ao tanto que eu me preparei e estava informada. Não foi maravilhoso, mas não foi traumático, e isso já é suficiente para contentar tanta gente... 
Posso contar em detalhes tantas histórias "ruins" que conheci, muitas delas bem perto de mim, como a de 9 amigas íntimas num período de menos de 2 anos que queriam parto normal e "não conseguiram". A maioria delas, consciente hoje de que foram enganadas, 3 delas inclusive, enganadas na primeira vez, tentaram o parto normal na segunda gravidez. 2 não conseguiram por falta de médico disposto a fazer (pelo convênio),  mas pelo menos passaram por grande parte do trabalho de parto, coisa que nem puderam experimentar antes. A terceira delas está correndo atrás para realizar seu sonho e espero de coração que consiga, algo que era para ser tão natural.
O último relato que li num grupo de apoio ao parto, de uma moça que passou a gravidez toda defendendo o parto normal é de partir o coração, tantas intervenções que acarretaram num parto tão sofrido. 
Infelizmente não são histórias raras, acontecem todo dia, toda hora, em maior ou menor grau de violência mesmo no pequeno percentual de partos normais hoje em dia. Morro por dentro ao ouvir histórias assim, principalmente quando sei que era uma vontade da pessoa ter seu parto normal, levantou a bandeira mas não se informou o suficiente, não sabia dos seus direitos, não estava ciente dos protocolos invasivos, violentos e abusivos que ocorrem indiscriminadamente.
Não é o parto que é assassino, monstruoso, doloroso, sofrido. Jamais. O parto é um processo natural e fisiológico, uma transição que pode ser muito suave e bonita, de grande transformação e plenitude.
A forma como  parto tem sido conduzido hoje é que é muito desumana. E não pense que escolhendo a cesárea você se livra disso. Muitas dores podem vir daí também.
É grande erro, dos grandes, deixar escolhas nas mãos dos médicos. Ele vai escolher muito bem, o que é bom para ele. É outro grande erro não pensar no parto, não se preparar, não buscar informações, evitar saber de histórias "ruins". Elas acontecem porque existem vítimas, existem mulheres que se submetem, seja por medo, por desconhecimento, por comodidade ou seja lá o motivo. 
Você não vai se arrepender de buscar apoio ao parto humanizado, busque! O parto é SEU.

Há uma frase que diz: Se uma mulher em trabalho de parto não está parecendo uma deusa, é porque ela não está sendo tratada como deveria.


Espero que esse texto possa servir para alertar muitas mulheres, incentivar a preparação para o parto e busca por informações que com certeza vão fazer muita diferença.

Por Marcela Buchalla

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Por que não escolher uma cesariana?


Leitura recomendadíssima para as gestantes

Por Ana Cristina Duarte.

Antes de mais nada, preciso pontuar cinco idéias rápidas: primeiro, entendo que a cesariana por escolha é um direito da mulher, ela tem direito e ela pode fazer e pronto. Segundo, a via de parto e a amamentação não definem a qualidade da mãe ou da maternagem. Terceiro, o objetivo dessa conversa não é trazer culpa a quem escolheu ou vai escolher, mas sim conhecimento para quem quiser entender essas opções. Quarto, algumas cesarianas são necessárias e paciência, não há o que se fazer, pois a vida da criança é mais importante. Quinto, a maioria das cesarianas indicadas nos serviços privados de saúde são sob falsas alegações, mas não tem como a mãe saber disso.

1) Uma das maiores razões para as mulheres escolherem a cesariana é a questão da dor. Deixando de lado todo o resto, acho que esse ponto é mesmo nevrálgico e merece uma atenção especial. Como o objetivo aqui é ser curta (e não grossa), lembro que hoje em dia existem analgesias muito boas que podem ser usadas a qualquer momento que a mulher deseje. Se quiser ter um trabalho de parto inteiro sem sentir nada (o que seria uma pena, mas é um direito e às vezes a única maneira de enfrentar o medo da dor), exija a presença de um bom anestesista. Fora isso, lembre-se que as coisas começam a ficar intensas mesmo depois da metade do trabalho de parto. Antes disso são apenas umas cólicas rápidas e curtas, perfeitamente suportáveis. A vantagem é que quando o parto acabar, você não está operada. Você levanta e vai cuidar da vida sem qualquer preocupação com uma cirurgia. Claro que você pode levantar e cuidar da vida após a cesariana.

2) Outra razão comum é achar que o bebê corre menos risco na cesariana. Já existem tantos estudos científicos mostrando o quanto é maior o risco da cesariana para o bebê, que não vou poder enumerar aqui. Se você está na dúvida e só falta essa questão para escolher um parto normal, informe-se. A quantidade de vantagens para o bebê no parto normal é provada em todos os artigos, sem exceção. Não estou dizendo que nada acontece no parto normal, mas sim que muito mais coisas negativas podem acontecer na cesariana.

3) Tem gente que pensa que o parto normal é pior para a mãe. Essa informação não procede. Qualquer livro de medicina deixa isso bem claro. A mortalidade e a morbidade da cesariana é bem maior para a mãe. Posso atestar que o parto normal não vai fazer você ficar diferente "lá embaixo". Na dúvida, conheça o site www.mulheres.org.br/fiqueamigadela
E se estiver ao seu alcance, exija um parto sem episiotomia. 

4) Embora o parto não defina a qualidade da maternagem, e não defina quem vai ser aquela pessoa, o fato é que há uma grande diferença pra o bebê entre ser retirado do útero materno sem aviso prévio, sem os hormônios que o preparam para a vida fora do ventre materno, e permitir que ele passe pelo processo de forma natural, fisiológica, cumprindo as metas que a natureza selecionou durante mais de cem mil anos. O parto não é, para o bebê, uma perigosa tormenta, mas sim um caminho muito previsto e importante para prepará-lo para a vida. Assim como podemos evitar que bebês engatinhem para não se sujarem, colocando-os em andadores, e eles não serão pessoas piores ou infelizes por isso, o fato é que esse tipo de salto não é benéfico e não tem como calcularmos objetivamente e em números concretos aquilo de que o bebê está sendo privado. Podemos sempre nos repetir e acreditar que são apenas minutos ou horas, e que isso não faz diferença na vida nossa ou deles. O melhor seria, no entanto, que todas nós tivéssemos acesso a um bom parto, para podermos oferecer aos nossos filhos e a nós mesmas um bom processo de nascimento. Até mesmo o choro de um bebê retirado de forma repentina e levado para um berço aquecido para os "procedimentos" é completamente diferente daquele que nasce devagar, sem pressa, na água, na cama, e é colocado imediatamente em contato pele-a-pele com sua mãe. Se achamos ruim deixar a criança chorando sozinha no carrinho "para acostumar", porque seria normal deixar um recém nascido se debater num berço iluminado cercado por estranhos que lhe inserem tubos no nariz, na boca, no ânus, e lhe pingam colírio cáustico e lhe picam a perna com uma injeção oleosa? Porque achamos que isso não faz qualquer diferença para a construção do indivíduo?

5) Por fim vem a questão mais importante para mim, que é o parto como um evento, e não como uma obrigação. O parto não é apenas o preço que temos que pagar para sermos mães de um bebê. Podemos inclusive adotar e sermos mães adotivas maravilhosas. No entanto o parto pode ser, por si só, um processo muito bom, divertido, intenso, cheio de momentos incríveis, para toda a família. Até os irmãos mais velhos podem ajudar e se sentir participantes dessa festa. O parto é algo que você pode recriar em sua mente, tentando esquecer aquelas histórias horrorosas que te contaram desde que você nasceu, porque essas histórias são de um modelo de assistência que não precisa ser utilizado. Você pode desejar, escolher e exigir um bom parto. Planeje, escolha pessoas interessantes e um modelo de assistência no qual você acredite. Fuja do estereótipo da mulher gritando nua na sala com as pernas abertas sob os holofotes e uma equipe de 12 homens olhando para o meio delas e colocando seus dedos e ferros nervosos lá dentro. Parto não é isso (ou não deveria ser isso). Existem opções. Natural ou com analgesia, mas com muito respeito, decência, privacidade, delicadeza, o parto pode ser um maravilhoso portal para inaugurarmos a maternidade. Pode ser também uma oportunidade impar para se superar os limites, para conhecer novas fronteiras. O bom parto não é uma obrigação. É apenas um direito de toda mulher e de todo bebê.

6) O parto pode ser ou pode não vivenciado. O nascimento vai ocorrer, sempre, e o bebê vai ser muito amado independente de onde saia. O fato é que no Brasil é uma escolha que as mulheres têm, parir ou não parir, eis a questão. Você pode, se quiser, fazer uma escolha diferente e transformar o parto num lindo evento. Mais ou menos como o casamento, você pode viver com alguém sem qualquer cerimônia simbólica. O objetivo da cerimônia é mais do que dar trabalho e fazer a gente gastar um dinheiro enorme, e não é ela que define a qualidade do casamento. O objetivo é marcar o evento, transformar num dia marcante, porque os outros que virão estarão repletos de bons e maus momentos, e vai ser maravilhoso poder voltar naquele dia e lembrar "do dia em que nos casamos". Claro que ir morar junto, levar a mobília e guardar as escovas de dentes juntos tem todo um valor simbólico. Afinal foi "o dia em que fomos morar juntos". Não dá para dizer que é a mesma coisa que fazer uma cerimônia, essa é a verdade. E nem vai dar para chamar de "Cerimônia do Casamento" o dia em que pusemos as escovas de dentes no mesmo copo. Quando abrimos mão de um evento desses, não estamos fadando o resto ao fracasso, não se trata disso. Apenas estamos perdendo uma grande chance de fazer algo muito especial. Comparativamente, não vamos chamar de parto o dia em que nos deitamos para a cirurgia cesariana. No Brasil começamos até a usar o eufemismo "parto cesáreo", depois que a cesariana virou um produto de consumo como qualquer outro, para mudar a impressão que a sociedade tem dessa cirurgia. Até mesmo os médicos obstetras estão usando o eufemismo, evitando eles mesmos enfrentarem a cruel realidade de que estão operando esse absurdo número de mulheres todos os anos.

Em suma, você pode e deve exigir seus direitos. Você pode usar mecanismos legais para garantir o que deseja. Salientando mais uma vez, escolher um parto normal não vai fazer uma mãe melhor. Apenas vai garantir que o seu bebê passe e seja recebido no mundo de uma forma diferente. Vai também garantir e permitir que você conheça novas nuances das possibilidades do seu corpo. Novos limites, novas possibilidades! E depois tem todo o resto, que também é importante. A criação, a amamentação, os cuidados, o apego, o carinho, o amor, etc. Você pode pular apenas uma das etapas e dar o seu melhor em todas as outras. Você pode não pular a etapa. Você pode ser obrigada a pular etapas, quer por limitações físicas, quer pela força do sistema médico. Isso não implica em "mãe melhor e mãe pior". Tenha apenas a certeza de ter e olhar de verdade todas as cartas no baralho antes de escolher o coringa. Eu tenho certeza que você já é ou será uma ótima mãe. Mas não é disso que estamos falando, combinado?

sábado, 14 de julho de 2012

O medo pode atrapalhar o trabalho de parto?

O medo do parto ronda os pensamentos de grande parte das gestantes, e acaba influenciando na escolha da via de nascimento. Afinal... ele pode atrapalhar o parto?


SIM. E muito.


A Fisiologia explica que o medo produz em nós uma descarga de adrenalina. Sabe aquele frio na barriga quando você está sozinho em casa e ouve um barulho? Essa é uma reação típica causada pela adrenalina. O coração bate mais rápido, as pupilas dilatam, a respiração se torna mais forte, e tudo no corpo se concentra no instinto de defesa, fica em estado de alerta e prontidão. Ela nos prepara para fugir, para correr, ou para tomarmos alguma atitude diante de um perigo (real ou imaginário). É um hormônio de proteção, e durante toda nossa evolução foi essencial para favorecer a sobrevivência da espécie.


O fato é que, durante o trabalho de parto (TP), ela não é bem-vinda. Não até que se chegue ao expulsivo. O hormônio que deve prevalecer durante o TP é a ocitocina, que é responsável por estimular o útero a se contrair. Ela é liberada no cérebro, e vai pela corrente sanguínea até o útero enviando as informações que vão controlar todo o processo de nascimento. E isso acontece instintivamente, sem que a mulher precise fazer nada. O próprio organismo se encarrega de tudo, se não for atrapalhado.


Quando a gestante sente medo (de qualquer forma, tipo ou causa) durante o trabalho de parto há liberação de adrenalina, que passa a competir com a ocitocina. O útero estava recebendo informações para se contrair e expulsar o bebê, mas o instinto de defesa fala pela adrenalina dizendo que é preciso se proteger, ficar alerta, fugir de algum perigo potencial. O resultado pode ser a redução dos efeitos da ocitocina, e até mesmo o seu bloqueio. A dilatação pára, as contrações param, e a gestante pode acabar precisando de uma cesárea.


Em uma situação normal, quando a parturiente está tranquila, ela só precisará da adrenalina no final do trabalho de parto, quando a dilatação estiver completa: o corpo enviará os estímulos para que ela fique alerta novamente, esteja atenta para receber o bebê que está prestes a nascer. Algumas parteiras experientes até relatam que quando a mulher está prestes a parir, é possível perceber suas pupilas dilatarem. É a descarga final de adrenalina.


O que fazer, então? Já comentamos sobre a necessidade de estar preparada para esse momento. E as rápidas consultas de pré-natal não conseguem cumprir esse objetivo. É preciso buscar bem mais. E encarar de frente: do que você tem medo? É preciso questionar-se, pra tentar encontrar maneiras de enfrentá-lo. A gestação, que é momento de preparar-se para ser mãe, também envolve a preparação para o parto. Ouça histórias de outros partos, imagine-se no seu grande dia... e tente identificar que situações te preocupam. Já conheci diversas gestantes que tinham muito medo, mas que assumiram para si mesmas essa condição e souberam buscar ajuda. Mais uma vez, a informação faz toda a diferença.


Outra solução que pode ajudar nesse sentido é de responsabilidade da equipe que atende o parto: esforçar-se ao máximo pra criar um ambiente propício para a mãe. Respeito, carinho, acolhimento, silêncio, privacidade... e muito apoio. Se ela sente medo de ficar sozinha, que alguém permaneça sempre com ela. Se ela sente medo de que algo dê errado, que a equipe reforce que tudo está indo bem, e ela está indo bem na sua caminhada. E por aí vai...

(Texto tirado do Blog Toda Gestante Merece uma Doula por Marieli Marcioli)

Complementando, a preparação é fundamental. Informação e apoio e, com isso, a mulher sente-se mais tranquila e amparada para lidar com seus medos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A importância do preparo do períneo na gravidez para evitar episiotomia ou laceração

Mesmo sendo muito determinada sobre o parto normal eu nunca sequer havia ouvido sobre a preparação do períneo. Só mesmo depois do parto e da terrível episiotomia é que fui ter consciência que eu tinha um períneo e que naquele momento do pós-parto tudo o que eu queria era ter tido acesso a essas simples informações.
Nenhum médico comentou comigo a importância do fortalecimento do períneo muito menos de como eu poderia alongar essa musculatura e prepará-la a fim de evitar a episiotomia ou uma laceração.
Talvez porque a episio seja realmente um procedimento de rotina nos partos normais hoje em dia e soltando mais o verbo, porque realmente o períneo não é do médico por isso ele não está muito preocupado com isso.
Fui recentemente a uma palestra na Casa Moara dada pela fisioterapeuta Míriam Zanetti: O parto não é o vilão (preparação do períneo para o parto) aprender o que não aprendi antes de ter meu primeiro parto, mas ainda em tempo para um próximo quem sabe!!


Fortalecendo o períneo

O que toda mulher deveria saber é que é muito importante exercitar a musculatura perineal durante toda a vida, pois todas nós estamos sujeitas a incontinência urinária decorrente de uma frouxidão perineal. Contrariamente ao senso comum, a frouxidão perineal não está relacionada diretamente ao parto vaginal e sim a diversos fatores como: genética, esportes de alto impacto por muitos anos e até mesmo a própria gravidez, ou seja, o ideal seria que fossemos preparadas pelo ginecologista desde sempre a exercitar essa musculatura.
Como? Contrair como se estivéssemos segurando o xixi, repetir várias vezes por uns 10 minutos e tentando aumentar também o tempo da contração. Devemos fazer isso durante todos os dias e sempre, afim de não termos esse problema no futuro (não durante o xixi, para evitar infecções urinárias).
Esses exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico são chamados de Exercícios de Kegel



Alongando o períneo

Em relação ao parto, devemos preparar o períneo na questão de alongamento. Um períneo rígido está bem mais sujeito à laceração ou  à episiotomia, que é o corte feito pelo obstetra entre a vagina e o ânus para que o bebê passe mais facilmente. Esse corte é feito para "preservar" o períneo de uma possível laceração, porém muito questionável pois muitas vezes a laceração é bem menor e requer menos pontos que a episiotomia.
A episiotomia e dependendo também, a laceração podem sim trazer danos à saúde da mulher, portanto o ideal é fazer o alongamento da região perineal tornando-a mais flexível. É esse tipo de informação que nunca temos dos médicos, e consiste numa prática simples, barata e muito útil. Só depois de passar pelo incômodo da episiotomia e correr risco de ter algum dano no períneo é que damos a real importância a esses cuidados.

Como alongar o períneo

A posição de cócoras rotineira possibilita o alongamento da região, porém às vezes é muito difícil e impraticável incluirmos no nosso dia-a-dia.
A massagem perineal e/ou o uso do aparelho Epi-no são bem indicadas no final da gestação para aumentar 
a flexibilidade da região perineal.
É um pouco dolorido para começar e deve ser feito até o fim da gestação, por isso o ideal é começar depois das 34 semanas pois antes disso não surtirá nenhum efeito adicional.
A mulher necessita de algumas orientações de um profissional especializado (normalmente o fisioterapeuta atuante na saúde da mulher) antes de iniciar.





Aconselho todas as gestantes que estão buscando um parto normal e principalmente, natural, que procurem conhecer e se informar melhor sobre isso.
E em relação aos exercícios para fortalecimento citados anteriormente, todas as mulheres devem fazer.

Por Marcela Buchalla

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Exercícios para fortalecer o períneo

O períneo é uma estrutura anatômica situada abaixo da cavidade pélvica. É a região estreita entre as partes proximais da coxas, se estende do monte do púbis, anteriormente, às faces mediais das coxas lateralmente, às pregas glúteas e à extremidade superior da fenda interglútea posteriormente.


A região pélvica, que normalmente já sofre com as pressões do dia a dia, durante a gestação é solicitada ainda mais. Os músculos são mais requisitados pelo aumento de peso e volume abdominal. Ainda observa-se que na gestante há um aumento na produção de urina, bem como da pressão do útero sobre a bexiga, o que faz com que quase toda gestante sofra pequenas perdas de urina ao esforço.




Em função disso se faz necessário o fortalecimento desta musculatura visando:

-aquisição da consciência corporal; 
-auxilio no controle do parto normal; 
-promoção de uma melhor recuperação pós parto; 
-prevenção da incontinência urinária.

Sugestões: (Fazer todos os dias por 10 minutos pelo menos)
  • Contrai-relaxa: contrair e relaxar o períneo, como se fosse segurar o “xixi”.
  • Exercício do elevador: fazer contrações em tempos (contrai, contrai, contrai, relaxa).
  • Exercício da sinaleira: imaginar os sinais da sinaleira, sinal vermelho =contrai, sinal verde = relaxa.
  • Supercontração: manter a contração pelo máximo de tempo que puder, sem prender a respiração, relaxando aos poucos.
  • Junto com força de empurrar: contrai, empurra (faz força para fora)
Outros exercícios podem ser realizados em conjunto com o fortalecimento do períneo, como apertar uma bola entre as pernas.

Esses exercícios, assim como  a massagem perineal, fazem a preparação do períneo para o parto natural, evitando assim alguma laceração natural ou mesmo a episiotomia (não indicada).


FONTE: PROJETOS UNIJUI - GRUPO DE GESTANTES

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Coragem para parir

Texto lindo de: Marcelly Ribeiro

Quando estava grávida e dizia que ia fazer parto normal as pessoas exclamavam de olhos arregalados:  “você é louca!”
Depois que minha filha nasceu, em casa, em um parto natural maravilhoso e transformador os olhos arregalados permaneceram mas a frase mudou
 para “você é muito corajosa” e muitas vezes além do corajosa vinha acompanhada um “mas é porque você faz yoga”.
 Eu sempre achei e falei que corajosas são essas mulheres que agendam  uma cesária eletiva, se submetem a uma cirurgia de médio porte, com mais riscos para mãe e bebê, separação quase que instantânea de seu bebê e recuperação muito dolorida e geralmente complicada. Para isso sim, eu acho que precisa coragem. Porém, depois da minha experiência e de ter acompanhando alguns partos como doula pude compartilhar histórias de  mulheres maravilhosas, que fizeram movimentos enormes em busca de seus partos e pariram belas e guerreiras, e começei a refletir…
Onde está, ou talvez pra que, exatamente, coragem? Quando as pessoas falam em coragem  para fazer um parto normal estão se referindo principalmente à dor das contrações, e também ao tempo de trabalho de parto sentindo essa tal dor que ninguém consegue descrever e que é quase insuportável.
Outras falam que é preciso coragem para superar o período expulsivo e permitir que  um bebê saia por sua vagina a deixando larga (o que muitas pessoas  acreditam ser verdade).
Quando falo que já vi mulheres em trabalho de parto mais serenas do que pessoas no trânsito, muitos não acreditam. Então cheguei à conclusão que sim, é preciso coragem para parir. Mas  não exatamente para enfrentar a dor e sim o que ela representa dentro de nós. Coragem para desconstruir essa idéia de dor e experiência  horrível, arraigada dentro da maioria das mulheres.
Não exatamente  pelas longas horas em trabalho de parto e sim por estar disposta a ficarali presente, paciente e vulnerável essas horas. Não exatamente por que vão ficar “largas” mas por aceitar que seus corpos vão se transformar depois do parto. Sem a neurose de ficarem lindas, em corpos perfeitos com “cara de 20 anos” para o resto da vida.  E principalmente é preciso  coragem para ir de encontro ao desconhecido entrar em contato conosco. Como se olhássemos pelo espelho e pudéssemos ver quem realmente somos.  Não apenas aquele corpo e aquela fisionomia. E sim nossa alma, nosso verdadeiro EU.
O parto é um evento que integra corpo físico, mental e espiritual e na nossa sociedade não damos muita atenção aos aspectos emocionais de uma mulher em trabalho de parto. As pessoas que estão assistindo o parto, na maioria dos casos estão preocupadas apenas com a saúde física e fisiológica da dupla mãe/bebê deixando de lado o bem estar emocional de ambos. Muitas vezes as pessoas da equipe estão mais preocupadas mesmo com  a hora de ir pra casa depois daquele parto.
Então também é preciso  coragem para buscar uma equipe que esteja disposta a enfrentar essa jornada junto com a gente. E estabelecer uma relação menos passiva com o médico para que ele também tenha certeza de que você é capaz.
É preciso confiar na nossa natureza. Se deixar perder o controle. Deixar vir das profundezas de nosso ser questões que ficam adormecidas por muito tempo e muitas vezes temos resolver ali mesmo, na hora de dar a luz. É também  aceitar que não temos o controle de nada e se deixar levar pelas ondas  do processo.
A contração é mesmo com uma onda que começa devagar,  aumenta, tem um pico e vai embora, dando-nos tempo para se recuperar. É uma experiência tão poderosa que requer muito preparo emocional, na minha opinião, mais do que físico. Por isso quando ouço que consegui um  parto natural por que faço yoga, concordo. Porém, não por que meu corpo é mais flexível ou “preparado” pelo yoga e sim pelo que ele me ensina, que não é físico. Parir conscientemente significa se entregar. É preciso coragem para querer parir.
Para terminar gostaria de reproduzir uma mensagem de uma querida aluna de yoga. Dessas corajosas que conhecemos por aí
"... aprendi a respirar, a relaxar. Aprendi a aceitar meu corpo e a vida, que não podem ser controlados ou programados. A perceber e sentir meu corpo com carinho, com calma e agradecer a Deus pela perfeição que é a natureza feminina, pronta para gerar e trazer ao mundo uma nova vida. Vou levar esses ensinamentos pra sempre, tanto pra mim quanto para meu filho, sempre buscando informação, com os olhos atentos e com a consciência de que não é preciso ficar na fila da “normalidade”. 
Questionar, verificar, pesquisar, não tem nenhuma contra-indicação. E no final das contas, meu sorriso de contentamento vai atingir pessoas à minha volta.”
Namastê!
Fonte: Blog das Mamíferas

sábado, 5 de novembro de 2011

10 Passos para um Parto normal saudável

Como evitar uma cesárea – 10 passos para um PN saudável
Texto de Angela England e tradução de Brenda Staut Leite. Ótimo texto!

1. TENHA UMA BOA NUTRIÇÃO DURANTE A GRAVIDEZ
Quando você e seu bebê estão saudáveis, suas probabilidades de gravidez de alto risco caem significativamente. E quando você tem uma gravidez de “baixo risco”, você tem mais opções, em termos de intervenções, para evitar durante o trabalho de parto, reduzindo seu risco de Cesárea. Coma bastante carboidrato saudável, especialmente nas últimas semanas, assim você terá de onde tirar energia durante o trabalho de parto. Informe-se sobre dietas que podem prevenir pré-eclâmpsia e a toxemia gravídica (doença hipertensiva específica da gravidez), problemas que implicam gravidez de alto risco.

2. SAIA DA CAMA!
Você está em trabalho de parto, não doente. Mulheres que ficam ativas durante o trabalho de parto demonstram ter trabalhos de parto mais rápidos, partos mais confortáveis, menos uso de fórceps, melhores habilidades para lidar com a situação (quando verificada pela quantidade de medicamento para dor administrada), e geralmente se sentem mais em controle do que mulheres que permanecem na cama durante o trabalho de parto. Certifique-se de que a política interna do seu hospital não impossibilitará que você caminhe, se sente ou fique de cócoras. Muitos hospitais tentarão fazer com que você consinta um constante Monitoramento Fetal Eletrônico, o que dificulta sua livre movimentação. A administração de rotina de fluidos intravenosos, outra intervenção comum em muitos hospitais, também pode impedir a mobilidade de uma mulher. Discuta, com antecipação, estes pontos com seu médico, assim você saberá o que esperar e terá como garantir sua cooperação.
 


3. PERMANEÇA EM CASA O MÁXIMO POSSÍVEL DURANTE O TRABALHO DE PARTO
A primeira fase do trabalho de parto é a mais longa, especialmente para as primigestas. Você se sentirá mais confortável e menos estressada no ambiente da sua casa e o nível da sua dor será mais baixo em casa do que no hospital. Permanecer em casa durante a primeira fase do trabalho de parto também a ajuda a evitar intervenções desnecessárias como jejum forçado, fluidos intravenosos de rotina e constante Monitoramento Fetal Eletrônico, os quais aumentam suas chances de parto cesariano.

4. SE POSSÍVEL, EVITE INDUÇÃO
Estudos provam que, na média, a mãe de primeira viagem tem um período gestacional de 41 semanas e um dia. De acordo com a pesquisa, você não está pós-data até que você complete 42 semanas. Verifique com seu médico se uma indução que possa estar em vista é absolutamente necessária. Muitas induções falham pela simples razão de que o bebê ainda não estava pronto. Na verdade, os trabalhos de parto medicamente induzidos estão associados a um aumento na taxa de Cesáreas três vezes maior do que aqueles iniciados naturalmente.

5. COMA E BEBA À VONTADE DURANTE O TRABALHO DE PARTO
Esta é uma área na qual a política interna de muitos hospitais “batem de frente” com o que as pesquisas afirmam ser a verdade. Estudos recentes demonstram que mulheres que têm a liberdade de comer e beber à vontade durante o trabalho de parto (a maioria das mulheres pediram comida durante a primeira fase do trabalho de parto e todas pediram líquidos durante todo o processo) tiveram trabalhos de parto mais rápidos, demandaram menos Ocitocina (o aumento da dose de Ocitocina eleva significantemente o risco de Cesariana), tiveram bebês com Apgar mais alto e menos problemas metabólicos ou de glicose elevada, sentiram-se mais em controle e requereram menos medicações para a dor (as quais aumentam o risco de Cesariana também). Não houve diferença no número de mães que sentiram náuseas durante o trabalho de parto.

6. REQUEIRA MONITORAMENTO FETAL INTERMITENTE
Evite constante Monitoramento Fetal Eletrônico, uma vez que seu uso tem demonstrado aumentar drasticamente a taxa de cesáreas e não contribuir em nada para o bebê, até agora. Contrariamente ao esperado, quando o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas terminou sua análise sobre o uso do Monitoramento Fetal Eletrônico durante trabalhos de parto, constatou que não apenas não beneficiava o bebê, como, na verdade, causava um maior índice de partos com intervenção (tanto vaginais - com o uso de fórceps e vácuo-extrator -, como cesáreas). Em resposta a essa evidência, eles alteraram sua recomendação para monitoramento intermitente a cada 15 minutos durante o trabalho de parto ativo e a cada 5 minutos durante o segundo estágio (expulsivo). Isto significa que, em vez de estar constantemente amarrada a uma máquina, eles recomendaram que uma enfermeira venha, a cada 15 minutos, checar os batimentos cardíacos do bebê e seus sinais vitais. Isso reduz dramaticamente o risco de nascimentos cirúrgicos.

7. SE NECESSÁRIO, ESTIMULE O TRABALHO DE PARTO NATURALMENTE
Se seu médico crê que suas contrações não estão fortes o suficiente, há muitas maneiras de estimular o trabalho de parto naturalmente. Muitos médicos, para estimular contrações mais fortes, automaticamente usam Ocitocina, uma forma sintética do hormônio ocitocina, que seu corpo produz naturalmente. Contudo, os riscos associados à Ocitocina são muitos. Dentre eles: contrações mais fortes, mais longas e mais dolorosas, o que implica um aumento do uso de medicamento contra a dor, sofrimento fetal e distocia (dificuldades encontradas na evolução do trabalho de parto), que aumenta o risco de parto cesáreo. Se você precisa estimular seu trabalho de parto, tente usar o banheiro, caminhar ou estimular os mamilos. A estimulação dos mamilos naturalmente liberará ocitocina no seu corpo, não somente fazendo com que as contrações fiquem mais fortes, mas também provendo endorfinas naturais que aliviam a dor, um benefício que a Ocitocina sintética não oferece.

8. FAÇA USO DE MEIOS NATURAIS PARA LIDAR COM A DOR
Não há qualquer droga usada para alívio da dor durante o trabalho de parto que não traga consigo riscos de, adversamente, afetar o bebê. Muitas, inclusive a peridural, também acarretam um aumento no número de Cesáreas. Há muitas formas de alívio natural da dor que podem ser utilizadas no trabalho de parto, as quais serão brevemente listadas a seguir. Lidar de maneira bem sucedida com o trabalho de parto sem o uso de drogas pode ser conseguido através da presença de uma doula, massagem, água, terapia de calor, mudança de posições, música, luz suave, micção frequente, vocalização, visualização, hipnose e encorajamento verbal dos que estão por perto.

 9. ESCOLHA CUIDADOSAMENTE O SEU MÉDICO
Assim como em qualquer outra área, há bons e maus profissionais. Se você soubesse que seu amigo levou o carro a um determinado mecânico que o desestruturou financeiramente com uma conta absurda, e a mesma coisa aconteceu com um colega de trabalho, você fica “com um pé atrás”, e com razão! Então, faça perguntas. Discuta suas opiniões, desejos e preocupações com seu médico. Descubra qual a sua taxa pessoal de cesáreas, uma vez que esta pode variar dramaticamente de profissional para profissional. Descubra quais intervenções ele considera “de rotina” e quão flexível ele está para atender aos seus desejos. Lembre-se, é o seu corpo e sua responsabilidade, portanto, não se sinta constrangida de perguntar o que quiser. Tradicionalmente, parteiras tendem a ser mais holísticas em sua conduta do que um médico obstetra, contudo, isso não é regra. Informe-se e não tenha medo de trocar de médico, caso, em algum momento, não se sinta confortável.

10. CONSIDERE VBAC (PARTO NORMAL DEPOIS DE CESÁREA) SE VOCÊ TIVER TIDO UMA CESÁREA ANTERIOR
De novo, muitos hospitais adotam uma política contra VBAC, contudo, a Organização Mundial da Saúde recomenda permitir o Parto Normal Após Cesárea para se evitar uma segunda cesárea que seria desnecessária. Mais de 75% das tentativas de VBAC são bem-sucedidas. Então, certamente isso pode ser feito.

FONTE: FISIO & DOULA


sábado, 29 de outubro de 2011

A gente não precisa provar nada pra ninguém

Já não é a primeira vez que escuto que quem busca um parto natural “está querendo provar alguma coisa para si mesma”. Parei para pensar. Será? Se assim é, o que estaria eu tentando provar, ao desejar e batalhar por um nascimento natural para as minhas filhas?
Quer saber? Puxa, eu estava tentando provar muitas, muitas coisas…

Em primeiro lugar, talvez eu estivesse tentando provar poder cumprir o papel que me foi presenteado pela natureza, ao me fazer vir ao mundo fêmea, mulher, parideira, o papel que me outorgou a biologia: gestar e parir minhas crias sem auxílio de terceiros, sem ajudas medicamentosas, sem instrumentos ou intervenções desnecessárias. Provar que eu poderia, sim, fazer o que toda fêmea mamífera faz: dar à luz, trazer, por minhas próprias forças, meus filhotes ao mundo.
Talvez eu também desejasse provar ter consciência suficiente para fazer minhas escolhas com responsabilidade, para optar pelos caminhos mais saudáveis e respeitosos para mim e minhas filhas, evitar riscos desnecessários, velar pelo bem estar de minhas bebês, por sua saúde e por seu direito inalienável a uma chegada harmoniosa e respeitosa a esse mundinho.

Talvez eu quisesse provar ainda que, ao contrário do que a maioria pensa, senso comum nem sempre significa bom senso. Que não é porque vivemos em um país em que por volta de 80% dos nascimentos acontecem por cesariana, que devemos aceitar isso como realidade irrefutável. Que nadar contra a corrente é, muitas vezes, imprescindível. Que não devemos nos calar diante do que está errado nem seguir com a boiada, que precisamos sempre buscar aquilo que é certo para nós, ainda que nos rotulem de radicais, irresponsáveis, vaidosas, loucas, ou seja lá mais o que for.
Outra coisa: talvez eu quisesse provar também que dor não tem nada a ver com sofrimento, como diria Adélia Prado, linda Adélia. Queria provar que é possível a gente encarar a dor como algo que faz parte da vida, que traz crescimento, que nos faz melhores, mais inteiros, mais capazes. Não de um jeito bobinho, de achar que sentir dor me faz melhor do que ninguém. Mas encarando a dor com maturidade, como alguém que sabe que crescer é assim mesmo, às vezes dói. E que é só encarando as dores naturais da vida de frente, sem fugas e sem atalhos, que se vira gente e se segue adiante com maturidade, coragem e inteireza.

Mas antes de tudo, o que eu queria provar ao parir minhas filhas naturalmente não tem nada a ver com quem olha de fora, o mais importante de tudo isso não era provar nada para ninguém, nem pra mim mesma. Eu queria, acima de tudo, provar, mas modificando o verbo e olhando de outro jeito: eu queria provar o gosto. Saborear, deliciar-me. Eu queria sentir cada instante da chegada das minhas filhas ao mundo, estando alerta, consciente, presente. Eu queria vivenciar cada pedacinho do processo para relembrar depois, tantas e tantas vezes, com uma saudade que jamais imaginei que pudesse sentir. Queria recebê-las de olhos bem abertos, tocá-las com a ponta de meus dedos curiosos e tão cheios de amor, envolvê-las, acolhê-las em meu peito, olhar em seus olhinhos ávidos e pensar: ‘nós passamos por isso juntas. essa foi a primeira de muitas caminhadas que faremos pela vida afora, de mãos dadas. e nós conseguimos, eu e você!’.

E foi assim que aconteceu. Eu provei, sim. Provei, e foi bom demais. Provei do gosto, o melhor de todos, um gosto que nessa vida, duvido que haja igual. Porque parir naturalmente tem um gosto que não se explica, só dá pra sentir. Se eu fosse tentar definir, diria que tem gosto de arcoíris depois da chuva. Assim, pura poesia, delicadeza e intensidade.

Desse gosto, depois que provei, eu não me esqueço nunca mais. Levo comigo pra sempre, no brilho dos meus olhos, na ponta dos dedos. E pra quem não sabe que gosto tem porque desistiu sem nem tentar, eu só posso dizer: quem sabe, quem sabe um dia. Nunca é tarde pra se provar. Né?
Por Tata
Blog Mamíferas

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O que é Doula e qual a sua importância?

O que significa "doula"

A palavra "doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.
Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, suas mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebê, estavam sempre na casa da mulher parida, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.
Conforme o parto foi passando para a esfera médica e nossas famílias foram ficando cada vez menores, fomos perdendo o contato com as mulheres mais experientes. Dentro de hospitais e maternidades, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétrica, a auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida no cenário do parto.
O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, se ocupando hora de uma, hora de outra mulher. As auxiliares de enfermeira cuidam para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra. O pediatra cuida do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto.
O ambiente impessoal dos hospitais, a presença de grande número de pessoas desconhecidas em um momento tão íntimo da mulher, tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade. Essas horas são de imensa importância emocional e afetiva, e a doula se encarregará de suprir essa demanda por emoção e afeto, que não cabe a nenhum outro profissional dentro do ambiente hospitalar.

O que a doula faz?

Antes do parto
Ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.

Durante o parto 
A doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc...

Após o parto 
Ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

A doula e o pai ou acompanhante

A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.

O que a doula não faz?

A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

Vantagens

As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
  • diminuir em 50% as taxas de cesárea
  • diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
  • diminuir em 60% os pedidos de anestesia
  • diminuir em 40% o uso da oxitocina
  • diminuir em 40% o uso de forceps.

Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

Por Cris Duarte
DOULAS DO BRASIL

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Plano de parto: você já pensou?

O que é
O plano de parto é uma lista de itens relacionados ao parto, sobre os quais você pensou e refletiu. Isto inclui escolher onde você quer ter seu bebê, quem vai estar presente, quais são os procedimentos médicos que você aceita e quais você prefere evitar.
Nos EUA, onde começou a ser difundido, o plano funciona como uma carta, onde a gestante diz como prefere passar pelas diversas fases do trabalho de parto e como gostaria que seu bebê fosse cuidado após o nascimento.
No entanto, acreditamos que o maior valor do plano de parto é justamente propiciar uma maior reflexão e compreensão sobre o tipo de parto que você prefere. É um exercício que pode ajudá-la a definir aquilo que é importante para você, e com esta informação em mãos, fazer com que esteja mais bem preparada para conversar com seu médico. Não se trata, portanto, de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa.
Porque fazer
Os casais brasileiros estão percebendo cada vez mais que os médicos e profissionais da saúde bem-intencionados nem sempre têm respaldo científico que sustentem as práticas obstétricas comuns e que muitas dessas práticas são adotadas simplesmente por serem parte de uma tradição médico-hospitalar.
Nos últimos quarenta anos muitos procedimentos artificiais foram introduzidos, de modo a transformar o nascimento de evento fisiológico natural em um complicado procedimento médico no qual todo tipo de droga é usada, todo tipo de procedimento é aplicado, muitas vezes desnecessariamente e alguns dos quais potencialmente prejudiciais ao bebê e até à mãe.
Está cada vez mais claro que todos os aspectos dos cuidados médicos hospitalares tradicionais no Brasil devem ser revistos e questionados criteriosamente sob a luz do respaldo científico em relação aos possíveis efeitos sobre o bebê e a parturiente.
A gestante/parturiente tem o direito de participar das decisões que envolvem seu bem estar e o do bebê que ela está gestando, a menos que haja uma inequívoca emergência médica que impeça sua participação consciente. Ela tem o direito de saber exatamente os benefícios e prejuízos que cada procedimento, exame ou manobra médica pode provocar a ela e/ou ao seu bebê.
Todas essas informações devem ser fornecidas com base nas evidências científicas. Abaixo você poderá se inteirar das variáveis que acontecem no atendimento ao parto, sobre as quais você pode ter alguma influência. Ao lado de cada variável, procedimento ou atitude, segue uma explicação baseada em evidências científicas.
Esses detalhes podem fazer uma grande diferença para o seu parto, tornando-o uma experiência mais intensa e enriquecedora para toda a família. Analise-as com cuidado junto ao seu parceiro e explique ao seu médico o quanto elas são importantes para você.


Escrevendo seu Plano de Parto:

Fonte: Amigas do Parto













quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Informação só não basta

Outro dia, uma conhecida me pediu um artigo científico para convencer uma mãe a desistir de uma cesárea eletiva. Disse a ela que nenhuma informação poderia convencer ninguém de nada, que ela já havia decidido o rumo desta gestação.



É bem verdade que a imprensa tradicional é bem tendenciosa em relação à cesárea. Por que ela é realmente mais segura? Por que somos loucas que tentamos a qualquer preço um exercício biológico do corpo em um parto natural?


Não. A resposta é porque a mídia é patrocinada por órgãos, por laboratórios que se beneficiam com as cesáreas eletivas. Laboratórios, empresas ligadas a área médica também financiam a pesquisa de novos equipamentos e fármacos eficientes para alivio da dor, fios para cicatrização etc. E profissionais são convidados para congressos cheios de mimos para conhecerem os benefícios destas descobertas. Como abrir mão de tudo isso, deixando no armário a possibilidade de “fazer um parto”, para ser apenas coadjuvante de um nascimento?


De certa forma o protagonismo médico é confortável. Não exige grandes mudanças, revoluções, questionamentos. Basta ir a todas as consultas de pré natal, vibrar com os ultrassons, achar o médico o máximo por ter o equipamento no consultório, seguir suas orientações. No lugar do parto apenas uma cirurgia que trará seus filhos para seus braços, passivamente. Que importa se feita com 37 semanas? O médico com seus aparelhos mágicos sabe a hora que o bebê está pronto. Afinal, me ensinaram a ser uma menina comportada: não fazer perguntas indiscretas e principalmente, respeitar o médico (ou o pai ou Deus).


E existe conforto em tudo isso: muitas pessoas fizeram esse mesmo caminho. Para que procurar um médico fora do plano de saúde? Para que abrir mão dos benefícios de uma anestesia ou mesmo da cirurgia?
Não adianta: sementes só nascem em solos férteis. O que fertiliza esse solo? A vida, as experiências anteriores deste ser humano.


Muito se fala de empoderamento. O que é essa palavra? Assumir o protagonismo das próprias escolhas. A maternidade é um momento em que esse chamado se torna mais claro. Afinal é no momento que nos tornamos mãe que deixamos a história da filha para trás para escrever nosso capítulo como força feminina criadora daquela nova família.


O empoderamento se dá muito antes, quando decidimos não seguir a religião dos nossos pais, quando escolhemos a faculdade que é nossa vocação e não a tradição da família, quando adotamos a homeopatia no lugar da alopatia, quando resolvemos viajar sozinha pelo mundo.


O protagonismo é a capacidade de fazer escolhas baseadas, não no medo de não conseguir, não na crença de modelos estabelecidos e difundidos pela mídia, mas pela nossa capacidade de pensar e agir de acordo com nossas crenças.

Não adianta com artigo convencer uma mãe que ela deve ter um parto. Ela ainda está na tutela do médico, da família, da mídia que a faz acreditar que ela escolheu, quando de fato ela se trata de um marionete na mão de poderosos títeres.
Cortar os fios não é fácil. Ser títere da própria vida é solitário e pioneiro. Existem poucas referências por perto. Sair da matrix é difícil em todos os sentidos. Nunca olharemos para uma tinta de cabelo com a mesma inconsciência, nem uma vitamina artificial como inofensiva. Empoderar-se é entender como as coisas funcionam. Não adianta um texto, uma palestra para mostrar que suas escolhas estão inadequadas.

Empoderamento ou você tem ou você não tem. E não quer dizer que a mulher que teve uma cesárea não é empoderada. Conheço muitas mulheres que assumiram o poder interior e vivenciaram uma cirurgia. E um monte de mulheres que nunca assumiram o protagonismo da própria vida que tiveram partos naturais na água.

O empoderamento está na vida, em cada atitude desta mulher. Esse poder pode ser forte, como um tufão, ou sereno e leve como uma brisa. E não por acaso, essas mulheres se aglomeram em diversidade para lançar sementes para que outras mulheres, em seus solos já férteis, gestem o poder interior e cortem os fios e assumam o controle de suas próprias escolhas.


Por Kalu

Fonte: Blog das Mamíferas