sábado, 14 de julho de 2012

O medo pode atrapalhar o trabalho de parto?

O medo do parto ronda os pensamentos de grande parte das gestantes, e acaba influenciando na escolha da via de nascimento. Afinal... ele pode atrapalhar o parto?


SIM. E muito.


A Fisiologia explica que o medo produz em nós uma descarga de adrenalina. Sabe aquele frio na barriga quando você está sozinho em casa e ouve um barulho? Essa é uma reação típica causada pela adrenalina. O coração bate mais rápido, as pupilas dilatam, a respiração se torna mais forte, e tudo no corpo se concentra no instinto de defesa, fica em estado de alerta e prontidão. Ela nos prepara para fugir, para correr, ou para tomarmos alguma atitude diante de um perigo (real ou imaginário). É um hormônio de proteção, e durante toda nossa evolução foi essencial para favorecer a sobrevivência da espécie.


O fato é que, durante o trabalho de parto (TP), ela não é bem-vinda. Não até que se chegue ao expulsivo. O hormônio que deve prevalecer durante o TP é a ocitocina, que é responsável por estimular o útero a se contrair. Ela é liberada no cérebro, e vai pela corrente sanguínea até o útero enviando as informações que vão controlar todo o processo de nascimento. E isso acontece instintivamente, sem que a mulher precise fazer nada. O próprio organismo se encarrega de tudo, se não for atrapalhado.


Quando a gestante sente medo (de qualquer forma, tipo ou causa) durante o trabalho de parto há liberação de adrenalina, que passa a competir com a ocitocina. O útero estava recebendo informações para se contrair e expulsar o bebê, mas o instinto de defesa fala pela adrenalina dizendo que é preciso se proteger, ficar alerta, fugir de algum perigo potencial. O resultado pode ser a redução dos efeitos da ocitocina, e até mesmo o seu bloqueio. A dilatação pára, as contrações param, e a gestante pode acabar precisando de uma cesárea.


Em uma situação normal, quando a parturiente está tranquila, ela só precisará da adrenalina no final do trabalho de parto, quando a dilatação estiver completa: o corpo enviará os estímulos para que ela fique alerta novamente, esteja atenta para receber o bebê que está prestes a nascer. Algumas parteiras experientes até relatam que quando a mulher está prestes a parir, é possível perceber suas pupilas dilatarem. É a descarga final de adrenalina.


O que fazer, então? Já comentamos sobre a necessidade de estar preparada para esse momento. E as rápidas consultas de pré-natal não conseguem cumprir esse objetivo. É preciso buscar bem mais. E encarar de frente: do que você tem medo? É preciso questionar-se, pra tentar encontrar maneiras de enfrentá-lo. A gestação, que é momento de preparar-se para ser mãe, também envolve a preparação para o parto. Ouça histórias de outros partos, imagine-se no seu grande dia... e tente identificar que situações te preocupam. Já conheci diversas gestantes que tinham muito medo, mas que assumiram para si mesmas essa condição e souberam buscar ajuda. Mais uma vez, a informação faz toda a diferença.


Outra solução que pode ajudar nesse sentido é de responsabilidade da equipe que atende o parto: esforçar-se ao máximo pra criar um ambiente propício para a mãe. Respeito, carinho, acolhimento, silêncio, privacidade... e muito apoio. Se ela sente medo de ficar sozinha, que alguém permaneça sempre com ela. Se ela sente medo de que algo dê errado, que a equipe reforce que tudo está indo bem, e ela está indo bem na sua caminhada. E por aí vai...

(Texto tirado do Blog Toda Gestante Merece uma Doula por Marieli Marcioli)

Complementando, a preparação é fundamental. Informação e apoio e, com isso, a mulher sente-se mais tranquila e amparada para lidar com seus medos.

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