Sempre fui muito organizada e determinada, e como boa taurina, adoro uma rotina. Gosto de planejar o dia seguinte, separar as coisas que tenho para fazer, encaixar tudo em seus devidos lugares e horários, assim como fazer listinhas. Isso me traz um conforto, fico sossegada por saber que tudo está sob controle e se desenrolando como planejei.
Durante a gestação li muitos livros e pesquisei bastante sobre qual o melhor método para criar um bebê. Confesso que são realmente tentadoras as promessas de ter um bebê bonzinho e que principalmente durma a noite toda e como boa taurina eu decidi colocar em prática esses ensinamentos, que, diga-se de passagem me deixaram muito frustrada, mas muito me fizeram aprender.
A frustração foi inevitável, pois é óbvio que um bebê não é uma boneca, e há quem diga que não, mas eu pude ter certeza que eles tem vontade própria sim. E há também quem ache isso ruim, e tente a todo custo adestrar um bebê de acordo com seus próprios interesses. Eu já acho que nosso filho é a primeira pessoa a quem devemos todo o respeito do mundo e o primeiro passo começa em respeitar e aceitar a sua natureza e proporcionar tudo aquilo que seja essencial para seu bem-estar enquanto ele ainda não for independente.
Digo que esses livros de adestramento infantil foram muito importantes para mim, pois como deu tudo errado, eu, desesperada achei a luz no fim do túnel quando simplesmente me deparei com textos simples e lógicos de grandes autores como Laura Gutman, Carlos González e Janete Balaskas, que nos mostram de forma sábia simplesmente a natureza fisiológica do bebê. Isso tudo eu poderia ter aprendido talvez se fechasse um pouco os olhos e tapasse os ouvidos, ficasse menos encanada com padrões e mais conectada com meu bebê desde o início e apenas seguisse meus instintos.
Descobri também que tudo é fase e em todas as fases a gente faz o melhor que pode e não deve ficar com medo de estar fazendo errado e colocando tudo a perder. Eles próprios, os bebês, vão mudando e se adaptando, mas isso depende muito mais deles mesmos e de sua própria maturação do que das regras que a gente tenta ficar empregando. Percebi que tudo o que eu tinha medo de fazer e "acostumar" o bebê de forma "errada" não teve nenhum prejuízo, pelo contrário. Por exemplo, dormir junto. Ele sempre teve seu quarto e dormia bem no bercinho, mas ele acordava demais. Não chorava, não estava incomodado. Se estivesse dormindo no berço ou comigo, era a mesma coisa, acordava muito mesmo, isso até uns 7 meses. Era só dar mamá, chupeta, encostar nele que passava. Mas se ele estivesse no berço eu teria que levantar umas 7 vezes na noite toda p/ que ele voltasse a dormir. E eu ficava um caco. Se ele estivesse dormindo comigo era a mesma coisa mas pelo menos eu não tinha que levantar tanto! Com o tempo, ele mesmo foi dormindo por mais tempo e acordando menos vezes, deixou de mamar de madrugada naturalmente e isso não teve nada a ver com fome.
É a maturação de cada um. O tempo que ele dormiu comigo não influenciou em nada. O fato dele ficar muito no colo nos primeiros meses também não, nem um pouco. Com 5 meses ele não dormia de jeito nenhum embalado, tinha que colocar ele deitado no berço e eu só colocava a mão nele e ele adormecia. Nunca regulei colo e isso não determinou nada. Nunca deixei ele chorando e isso só teve um resultado: tornou-o seguro, sabe que é respeitado e que pode confiar na mãe e no pai. Não tem medo de escuro, nem de ficar sozinho, nem da hora de dormir, nem nada do tipo, porque sabe que estamos por perto sempre. Hoje ele tem 1 ano e meio e nada disso mais é preciso. Ele adormece sozinho se for o caso (mas confesso que adoro deitar com ele pra ele dormir), ele nem quer saber de colo, dorme a noite todinha e nunca precisou ficar chorando para "aprender" isso. Simplesmente ele hoje está seguro e pronto para isso. Respeitamos o tempo e a natureza dele.
Nos primeiros meses, quando eu estava muito cansada, por alguns dias eu tentava alguma "dica" pro bebê dormir mais horas (nunca o método de deixar chorando, isso jamais), tipo assim dar banho antes de dormir, colocar essência na água, dar mamadeira com o bebê dormindo para ele não acordar com fome de madrugada, não deixar dormir muito de dia (lembrando que um RN dorme em média 18 horas por dia, não deixar o bebê dormir de dia é uma das maiores afrontas, além de ser impossível) etc, coisas assim. E olha que sou taurina hein, já comentei. Sou determinada, amiga, não tente me desafiar. Eu sempre posso tudo e consigo tudo. Sabe o que eu aprendi depois de muita chifrada e determinação? Que eu só perdi tempo e energia. Deveria ter seguido a natureza, bebê dormiu mamãe dorme também. E não perder o tempo em que ele estava dormindo tentando colocar uma rotina e regras que só me deixaram mais cansada. Ganhei frustração, na época, por ter me dedicado tanto e não ter dado certo essas "dicas infalíveis". Mas além da frustração eu ganhei uma lição preciosa, que estava dentro de mim e eu não escutei, mas tive ajuda de mestres maravilhosos citados no início.
É preciso respeitar antes de tudo, a natureza do bebê, seu sistema fisiológico. Não dá para empregar regras que eles não estão maduros para cumprir. Depois, entender a individualidade de cada bebê. Existem aqueles que são capazes de dormir por mais horas seguidas, mamam em horários mais regulares, ou simplesmente se adaptam mais facilmente aos nossos estímulos. Mas com certeza é impossível padronizar e criar métodos infalíveis.
Lembre-se que seu bebê é uma outra pessoa, com identidade própria, vontade própria e principalmente necessidades próprias. E que ele é provavelmente a pessoa mais importante que existe para você, não é? Além disso, ele é totalmente dependente sim (embora muita gente ache que é melhor torná-lo independente logo e eu digo: oi?), não sabe falar e muito menos tem condições dele mesmo satisfazer suas próprias necessidades, que além de mamar, descansar, estar limpo, confortável e quentinho existe também a necessidade do aconchego.
Ah, eu vou contar um segredinho, eu devo muita coisa que aprendi a um aquariano. Para uma taurina "do esquema" que adora rotina, listas e planejamento ter um bebê de aquário poderia ser trágico, mas eu agradeço muito essa oportunidade de melhorar e aprender coisas novas e acima de tudo a ser uma mãe melhor.
Por Marcela Buchalla
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