sábado, 14 de julho de 2012

Cesária eletiva: você vai correr o risco?

Cesárea eletiva é aquela que não foi feita por motivo de urgência ou emergência, e sim simplesmente agendada, seja por opção do médico ou da gestante. Hoje ela representa um número muito grande, principalmente na rede privada, por ser mais conveniente para o sistema médico. Há quem diga também que são as mulheres que estão preferindo essa opção, e na minha concepção isso pode até ser meia verdade. Pode até ser que muitas prefiram mesmo, visto que é bem conveniente escolher a hora do filho nascer, poder estar arrumada, depilada, cabelo e unhas feitos, acordar e ir para o hospital, deitar na maca e com a promessa de "parto fácil e rápido, sem dor" (muito contraditório dizer isso!), mas acredito que isso é mais secundário. A maioria das mulheres que opta pela cesárea eletiva, acredita realmente que é um meio tranquilo e inofensivo de trazer um filho ao mundo, ideia disseminada pela ambição médica e tão pouco questionada pela sociedade, que aos poucos foi colocando o parto normal como "ultrapassado".

É tão comum hoje a cesárea eletiva que tenho certeza que quase todas as mulheres não sabem o quanto pode ser perigoso retirar um bebê do útero dessa forma, com agendamento por conveniência, lá pelas 38 semanas. O primeiro grande motivo é a própria cesárea, cirurgia que como outra qualquer envolve riscos: anestesia, corte, 7 camadas de tecido, muitos pontos, remédios fortíssimos na recuperação. Dizer que uma cesárea é "tranquila" ou que sua recuperação é fácil é no mínimo ingenuidade. No melhor dos casos, a mulher que não teve muita dor após, foi por conta dos remédios que teve que tomar na recuperação, o que já é bem prejudicial para o bebê.

Um dos grandes riscos para o bebê, é o fator da prematuridade. Está determinado que bebês a partir das 37 semanas já estão "prontos" para nascer. Isso é erroneamente difundido, inclusive pelos médicos. O fato é que é a partir disso que começa a ser produzida uma substância chamada surfactante alveolar, importantíssima para os pulmões do bebê, e isso só inicia nessa fase. Não tem como dizer ao certo se o bebê está pronto realmente. Aliás, é essa substância que vai provocar uma reação hormonal em cadeia para iniciar o trabalho de parto, então teoricamente até o trabalho de parto esse processo não está completo. Não é a toa que a principal complicação apresentada nos bebês que nasceram antes da hora é respiratória.
Pesquisas apontam que a principal causa de internação nas UTIs neonatais é "imaturidade pulmonar". Coincidência???

Se a opção da mulher for fazer cesárea mesmo, o ideal é que se espere entrar em trabalho de parto. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde: Para evitar a prematuridade iatrogênica, sugere-se que mesmo que seja programada uma cesárea desnecessária, a mãe espere entrar em trabalho de parto, pois esse é o sinal de que o bebê está preparado para nascer. Confira a matéria na íntegra.

Então por que os médicos indicam a cesárea tão facilmente e inclusive tão antes das 40 semanas? Conhece aquela velha frase "Tempo é dinheiro"? E quanto mais perto das 40 semanas mais chance da mulher entrar em trabalho de parto naturalmente e ter que sair às pressas para o hospital, desmarcar agenda,  acordar de madrugada, perder o evento do final de semana, e uma série de outros contratempos prejudiciais para ELE.
Você ainda acredita que isso é melhor e tão inofensivo para você e para o bebê?

Quanto ao trabalho de parto, se esse é seu medo, fique tranquila. O trabalho de parto é um processo natural e fisiológico que começa bem "light" e progride lentamente. Você não vai sentir dores fortes nas primeiras horas, apenas desconforto bem suportável durante as contrações, que inicialmente duram poucos segundos e tem intervalos bem espaçados. Vai dar para se arrumar, avisar seu médico e ir calmamente para o hospital, sem dores e garantindo uma chegada com menos riscos para seu bebê.
Leia mais aqui.

Leia também Cesárea agendada? Não, obrigada!

Por Marcela Buchalla

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