sexta-feira, 25 de maio de 2012

Criação com apego - Eu pratico e eu apóio

Recentemente tem se falado muito nisso: criação com apego. O nome em inglês é Attachment Parenting e tem como base o respeito, o amor e a segurança afetiva e emocional no relacionamento pais e filhos.

Eu não sei exatamente de onde conheci e porque comecei a aplicar, mas talvez porque isso já está nas entranhas de uma mãe que nasce e deseja obviamente proporcionar todo o melhor para seu filho. Porém, queremos tanto oferecer o melhor que muitas vezes caímos em armadilhas de uma sociedade, diga-se de passagem bem complicada... O que nossa sociedade vende hoje em dia? Que é legal ser sozinho, ter muito dinheiro, viver para o trabalho, excessos de todos os tipos, companhias vazias, diversão, desprendimento, liberdade e individualidade... 
Hoje eu entendo o porque disso, e não poderia ser diferente, uma vez que bebês são arrancados da barriga da mãe sem motivo algum com 37 semanas, passam as primeiras horas de sua vida extrauterina longe da mãe, de mão em mão, em procedimentos estranhos e controversos, alimentam-se através de mamadeiras porque amamentar dói, ou cansa, e são privados do calor materno, do colo, do aconchego. São deixados chorando no berço porque precisam acostumar a ficar sozinhos, a dormir sozinhos e a não dar trabalho. São subestimados ou desrespeitados em suas vontades porque são crianças - onde é que já se viu criança ter vontade própria? Ter opinião? Ter vontade?
Já disse Michel Odent, em uma frase que adoro: "Para mudar o mundo é preciso antes mudar a forma de nascer". E tanto de nascer, quanto de ser acolhido do lado de cá e iniciar sua vidinha. Conhecer o mundo, conhecer sua família, ter suas necessidades satisfeitas e suas vontades respeitadas. O que não entenderam ainda, pasmem (!), é as necessidades de um bebê não são apenas leite e fraldas limpinhas. Seria o colo e o calor da mãe, assim como suas palavras e seus olhares tão ou mais importante do que mamadas regulares e trocas de fraldas.
Faz-me lembrar também de uma frase do "Pequeno Príncipe" que diz mais ou menos assim: A autoridade repousa sobre a razão. Só podemos exigir de alguém, o que este alguém pode nos dar". Parece óbvio, mas o que dizer sobre métodos de "educar bebês" que tem necessidade real de contato humano através de um condicionamento extremamente frio e cruel? 
Depois de ler alguns livros desastrosos desses com "dicas tiro-e-queda" para educar seu bebê, inclusive um deles muito legal que se mostrou como um lobo em pele de cordeiro e ver o sonho da minha amamentação ir por água abaixo cheguei a alguns textos maravilhosos do Dr Carlos González e foi como se aquelas palavras tivessem sido reconhecidas dentro de mim. Incrível como fizeram tanto sentido e me trouxeram tanta gratidão e felicidade.
A sociedade de hoje culpa e aponta a mãe que procura satisfazer e amparar todas as necessidades emocionais dos filhos. É como se a mulher se anulasse e virasse "apenas mãe" (o que para mim é o  máximo que uma mulher pode ser!). Mas se a gente atentar para a voz interior e procurar reconhecer nossos instintos não deixamos ser tocadas por essa culpa nem por esse medo, pelo contrário.
É como se tudo fizesse sentido nessa revelação sublime e infinita de tanto amor.
Bebês precisam de peito, colo, calor, aconchego, sling, palavras, olhares, toques, serem ouvidos, chamados pelo nome, segurança afetiva e emocional, atenção, respeito às suas vontades e aos seus medos, espaço, movimento. À medida que vão crescendo precisam sim de limites e de nãos. Mas quando estiverem prontos para aprender e principalmente de forma que possam realmente entender.

Por Marcela Buchalla

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