quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma lição sobre dar a mão

O tempo passa tão rápido e mal temos noção disso, a não ser depois que temos um bebê e sem querer notamos que não temos mais!! Berço, chorinhos, mamadeiras, tantos meses sem dormir noites inteiras, cansaço extremo, horas de preparo para passar uma hora fora de casa e tantas outras coisas que mudam e mexem tanto com nossa rotina de repente, não mais que de repente, dão lugar a uma pessoinha tão querida em transformação constante. São surpresinhas novas a cada instante que nos mostram que o tempo está passando e um lindo ser está assumindo uma personalidade e uma vida própria.
É tudo tão intenso e ao mesmo tempo sutil que quase não nos damos conta de que estamos moldando isso no dia-a-dia, em palavras, em gestos casuais, em hábitos, em sorrisos, olhares, em coisas tão mas tão pequenas que tem poderes tão grandes.
É com o exemplo que se ensina, já disseram por aí.
Então o primeiro ano se passou, e eu, convicta de que colocaria o bebê na escolinha só após os 2 anos, fui rendida por alguns motivos que me fizeram decidir pelo meio período na escola. Eu, autônoma, precisando de um tempo livre para me concentrar e dedicar ao trabalho e Henrique crescendo, descobrindo, mexendo em tudo que não podia e vivia entediado dentro do apartamento. Mesmo sabendo da importância dos cuidados da mãe e apoiando muito como sempre apoiei "ser mãe em tempo integral" pesei os prós e os contras e vi que realmente seria a melhor opção dentro das nossas necessidades.
Ele tinha exatamente um aninho e a escola foi escolhida com o coração, engraçado que no dia mesmo que visitei eu tive a certeza de que não precisaria visitar mais nenhuma.
Então fevereiro começou, época em que as crianças iniciam às aulas, e lá se foi para a escolinha a mamãe e o filhinho juntos, e assim a mamãe frequentou a escola por 15 dias! Pois era um lugar totalmente novo, com pessoas totalmente novas e mais outros tantos bebezinhos juntos e isso parecia um universo muito diferente com o qual estávamos acostumados não é mesmo?
Eu fiquei imensamente feliz e grata pelo acolhimento e por poder fazer uma adaptação tão suave ao meu filho, que passaria a tarde longe de mim e de sua casa. A cada dia ele foi absorvendo novos detalhes, novas cores, novos sons e novos sorrisos e não foi muito fácil pois ele sempre foi muito tímido e desconfiado. Durante muitos e muitos dias ele só brincava no meu colo e eu não podia nem sair do lugar que ele já fazia cara de choro, e eu sempre com muita calma e segurança conversava com ele que eu estava ali e não iria embora. Acompanhei de frente todo esse processo e mesmo com todo esse cuidado ele só se mostrava seguro quando estava no meu colo e eu comecei a questionar se daria certo porque ele não saía de perto de mim por nada e já tinha lido um tanto de coisas que me diziam que criança quando entra na escola chora por uns 3 dias e depois acostuma. Mas eu não conseguia de forma alguma aceitar esse formato de "adaptação forçada". Pois bem, muito devagarinho mesmo ele foi se soltando, sem choro, sem medo, sem traumas. Cada centímetro era uma conquista. Até que foi se acostumando com as tias e os bebês, com o espaço e descobrindo brinquedos, músicas, coisas novas. 
No primeiro dia que ficou sozinho, na volta da escola no carro ele sorridente bateu palmas! Seu aniversário tinha sido há pouco tempo e não houve meios de fazê-lo bater palmas no parabéns. Ele nunca tinha batido palmas e não gostava quando a gente tentava ensinar. Então, quando este pequenino entrou no carro e sorridente bateu palminhas eu tive mais uma vez a certeza de que tudo estava indo muito bem.
Então mais meio ano se passou, e de bebê do berçário, meu pequeno de menos de 80cm, já maratonista e falante como nunca vi igual (nessa idade ele já dominava todas as palavras e tempos verbais corretos, acredite se quiser) foi promovido ao mini maternal, do alto de seus 1 ano e 6 meses.
Oh my Gog, que meu Rico sempre foi tímido e desconfiado, eu já havia falado isso! E para ele a escola era aquele pedacinho de 30 m2 (eu sou péssima de noção espacial hein) em que ficava o berçário, suas tias e seus amiguinhos (apiquinhos como ele mesmo dizia). Como agora este menino ia ter que mudar de sala, de tias, amigos?
Eu sou a mamãe, e eu sabia que isso não ia ser fácil. Meu pequeno é um ser apegado. E a mamãe é contra adaptação forçada. Então, na primeira semana de agosto, época em que as crianças voltam das férias e iniciam as atividades escolares, lá fomos nós para a escola, a mamãe e o filhinho.
E novamente a mamãe frequentou a escola, entrou na sala, sentou no chão, participou das brincadeiras e fez amizade também com os novos amiguinhos. E assim se passou uma semana, e cada centímetro era uma nova conquista.
Ele reparou que a escola era um pouco maior do que ele imaginava. Tinha agora um parque, e mais uns pares de salas coloridas, com mesinhas e cadeirinhas, e cartazes, e ventiladores que ele tanto gostava. Tinha mais tantas outras crianças felizes e animadas como ele, e mais outros tantos brinquedos que ele nunca tinha visto igual. E tinha sala de música, sala de lanche, sala de educação física. E acho que ele não precisou fazer esforço para entender que a mamãe nunca ia deixá-lo desamparado nem chorando. Porque ele já havia passado por esta experiência com muita segurança. 
Então, após alguns dias em que a mamãe ficava junto na turma nova, desta vez foi uma semana, a mamãe começou a deixá-lo com a professora para ir trabalhar. No primeiro dia, ele foi para o colo da professora com cara de choro e a mamãe, como sempre, o tranquilizou. Ele me pediu colo e eu falei: fica no colo da tia, a mamãe te dá a mão. E assim ele me deu a mãozinha e ele me levou até o portão da escola. Tive que me despedir umas 2 ou 3 vezes até que ele ficasse bem e me desse tchau.
No segundo dia, foi assim também, igualzinho.
E assim, no terceiro e no quarto dia... e mais uma semana se passou.
Os nomes dos amiguinhos novos e da tia começaram a ser repetidos dentro de casa, assim como pequenas histórias que ele me contava em suas tentativas de frases, rs. 
Na semana seguinte, da mesma forma, eu levava ele até a sala, ele ia no colo da professora e me levava até o portão da escola, não sem antes me pedir: mamãe, mão! E me estendia sua mãozinha! Já me dava tchau com carinha sapeca e rindo.
Pois então, nem sei quantos dias se passaram, porque como eu comecei o texto, os dias passam e a gente quase não se dá conta, mas então acontece que de repente, não mais que de repente, eu o deixo na sala dele e ele vai direto brincar e nem quer saber mais de me dar tchau!! 
Mas nem era muito isso o que eu queria dizer... o que me tocou foi o que vem acontecido há alguns dias atrás, em algumas situações, nem tanto inusitadas mas vai entender cabecinha de criança!
Indo para a casa da vó, que ele vai sempre, no carro, eu falando onde estávamos indo, e ele perguntou: a mamãe? Eu respondi: a mamãe também vai. E ele: mamãe, mão!! E me estendeu a mãozinha. Do banco da frente do carro eu coloquei a mão para trás e peguei na dele.
E assim aconteceu em mais uma ou duas situações em que estávamos indo para outro lugar.
Então, esta foi a lição que eu aprendi, que a gente, não importa o que seja que a gente vá fazer, a gente tem que preparar o terreno. Onde a gente coloca carinho, segurança e acolhimento com certeza é isso o que vai vingar ;)

Um especial agradecimento ao Jardim Cor de Rosa e as pessoas maravilhosas que encontrei lá!




Por Marcela Buchalla

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